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quinta-feira, janeiro 27, 2005



DEUS PAI

Parece que, nas sociedades mais primitivas, as mulheres eram às vezes tidas em mais alta conta que os homens. O prestígio das grandes deusas na religião tradicional reflete a veneração do feminino.

O surgimento das cidades, porém, significou que as qualidades mais masculinas de força marcial e física foram colocadas acima das características femininas. Daí em diante, as mulheres foram marginalizadas e tornaram-se cidadãos de segunda classe nas novas civilizações do OIKUMENE(em grego, MUNDO CIVILIZADO).

A Posição delas era particularmente inferior na Grécia, por exemplo - um fato que os ocidentais deviam lembrar quando clamam contra as atitudes patriarcais do Oriente. O Ideal democrático não se estendia à Mulheres de Atenas, que viviam em reclusão e eram desprezadas como seres inferiores. A Sociedade israelita também assumia um tom mais masculino.

Nos primeiros tempos, as mulheres eram vigorosas e viam-se claramente como iguais dos maridos. Algumas, como Débora, comandaram exércitos em combate. Os israelitas continuariam a festejar mulheres heróicas como Judite e Ester, mas depois que Javé venceu os outros deuses e deusas de Canaã e do Oriente Médio, e se tornou o único Deus, sua religião seria dominada quase inteiramente por homens.

O culto das deusas seria vencido, e isso seria um sintoma de uma transformação cultural característica do mundo recém-civilizado.

(ex-traído de "Uma História de Deus" K. Armstrong, C. das Letras,1994)

sábado, janeiro 22, 2005



A DEUSA MÃE

No período paleolítico, por exemplo, quando a agricultura estava se desenvolvendo, o culto da Deusa Mãe expressava a percepção de que a fertilidade que transformava a vida humana era de fato sagrada. Os artistas esculpiram aquelas estátuas mostrando-a como uma mulher nua, grávida, que os arqueólogos descobrem por toda Europa, Oriente Médio e India.

A Grande Mãe continuou imaginativamente importante durante séculos. Como o velho Deus do Céu, foi absorvida em panteões posteriores e assumiu seu lugar entre as divindades mais antigas. Era em geral um dos deuses mais poderosos, com certeza mais poderosa que o Deus do Céu, que continuou sendo uma figura meio vaga, até os nossos dias.

Chamavam-na Inana na antiga Suméria, Ishtar na Babilônia, Anat em Canaã, Ísis no Egito e Afrodite na Grécia e histórias notavelmente semelhantes foram imaginadas em todas essas culturas para expressar o papel dela na vida espiritual das pessoas.

Esses mitos não se destinavam a ser tomados literalmente, mas eram tentativas metafóricas de descrever uma realidade demasiado complexa e fugidia para ser expressa de outra maneira.
Essas histórias dramáticas e evocativas de deuses e deusas ajudaram as pessoas a articular sua percepção das forças poderosas mas invisíveis que as cercavam.

Como as forças das inter-relações entre todas as coisas no Universo.

(ex-traído de "Uma História de Deus" de K. Armstrong, C. das Letras, 1994 - o comentário é do editor)

terça-feira, janeiro 11, 2005


A ÉTICA E O HUMANO

Já contei a experiência que tive na Inglaterra visitando um museu que exibia o
sofrimento provocado pela bomba atômica em Hiroshima, e disse como um amigo meu
se mostrou indiferente à dor daquele povo.
Com relação a esta atitude penso que, se estou na emoção que não inclui o outro
em meu mundo, não posso me ocupar de seu bem estar.

Os discursos sôbre os direitos humanos, fundados na
justificativa racional do respeito ao humano, serão válidos sómente para
aqueles que aceitam o humano como central, para os que aceitam a esse outro
como membro de sua própria comunidade.
É por isso que os discursos sobre os direitos humanos, os discursos éticos fundados na razão, nunca vão além daqueles que os aceitam desde o início, e não podem convencer ninguém que não esteja convencido de antemão. Sómente se aceitamos o outro, o outro é visível e tem presença.

(ex-traído de "Emoções e Linguagem na Educação e na Política" de H. Maturana, 2001)

quinta-feira, janeiro 06, 2005

FELIZ HUM ANO
NOVO PARA TODOS!!!

quarta-feira, janeiro 05, 2005


O HUMANO

O Que Somos? O que é o Humano?
Habitualmente pensamos no humano, no ser humano, como um ser racional, e frequentemente declaramos em nosso discurso que o que distingue o ser humano dos animais é seu ser racional.
Quero chamar atenção para essas afirmações, que são feitas na suposição implícita de que é absolutamente claro o que dizem. Quero fazer isso porque essas afirmações, feitas assim, com tanta liberdade, constituem, realmente, antolhos como os que os cavalos usam para não se assustarem com a trânsito de veículos que os ultrapassam numa velocidade maior que a sua.
Todos os conceitos e afirmações sobre os quais não temos refletido, e que aceitamos como se significassem algo simplesmente porque parece que todo mundo os entende, são antolhos.
Dizer que a razão caracteriza o humano é um antolho, porque nos deixa cegos frente à emoção, que fica desvalorizada como algo animal ou como algo que nega o racional.
Quer dizer, ao nos declararmos seres racionais vivemos numa cultura que desvaloriza as emoções, e não vemos o entrelaçamento cotidiano entre razão e emoção, que constitui nosso viver humano, e não nos damos conta de que todo sistema racional tem um fundamento no emocional.
Emoções são disposições corporais dinâmicas que definem os diferentes domínios de ação em que nos movemos.
Quando mudamos de emoção, mudamos de domínio de ação, e mudamos as nossas racionalizações.

(ex-traído de "Emoções e Linguagem na Educação e na Política" de H. Maturana, 2001)

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