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terça-feira, novembro 30, 2004


DE CORPO E ALMA
Diz a Tradição Cristã, que o homem perdeu o Paraíso, e que quando perdeu o paraíso se cobriu com a pele, ou em outras palavras, ganhou corpo.
Isso quer dizer que houve um momento em que o homem viveu no Paraíso, ou seja , no domínio da alma. O domínio do corpo onde vivemos é considerado como pesado,denso, um fardo duro de levar, que nos aprisiona, nos isola, que está preso ao tempo, envelhece, acaba.
O que poderia ser viver no domínio da alma e ter que passar a atuar num outro domínio, o do corpo. Alma, embora seja considerada uma entidade isolada (como o corpo, por aqueles que pensam a partir do domínio do corpo), sempre se refere às relações com as coisas, portanto,intangível, mas presente. Quando algo no modo daquela pessoa se relacionar com os outros ou com o mundo, faz com que o observador diga "Ela faz ou está presente de corpo e alma", ou ainda, "ela poê a alma naquilo que faz".É uma expressão que sempre se refere ao modo como a pessoa age. Não ao que ela faz, mas como ela faz. Esta expressão de "corpo e alma" é interessante, porque denota que voce pode estar nas coisas só de corpo, sem alma. Quando voce pôe a alma no que faz, necessáriamente o corpo tem de ir junto ("alma ou espírito, não baixam sem um cavalo"). Mas se voce pôe só o corpo, ou começa pelo corpo, ou ainda, o lugar emocional de onde voce fala é do domínio do corpo, significa que a alma pode ou não estar ali. Desse domínio, seu corpo está sempre no presente, mas a alma pode estar em qualquer lugar, passado ou futuro.
Quem vive no domínio do corpo tem mais dificuldade de viver no presente, pois aí seria estar de "corpo e alma", como se fosse o dominio da alma.
O que seria então o domínio da alma?. Seria o domínio das relações e não o domínio das coisas. É o domínio onde as coisas, adquirem identidade a apartir das relações, onde não há isolamento, pois todas as coisas estão em relação, assim como no Universo.

(Ex-traído de "Mim Mesmo em Pensamentos Exparsos" de 2004)

quinta-feira, novembro 25, 2004


A NOSSA NATUREZA
Na Tradição greco-judaico-cristã de nossa cultura ocidental, percebemos aquilo que chamamos de natureza como um âmbito de forças independentes, com frequência ameaçadoras, que temos de subjugar e controlar para viver.
Não vemos a natureza como nosso domínio de existência e a fonte de todas as possibilidades. Além disso, nossa cultura ocidental nos centra emocionalmente na valorização da intencionalidade, produtividade e controle.
Nossa atenção está tão orientada para os resultados do que fazemos que raramente vivemos o nosso fazer como um ato no presente. Em consequência, não confiamos nos processos naturais que nos constituem e nos quais estamos imersos como condição de nossa existência. Estamos insensíveis para as distorções que introduzimos em nossas vidas e nas dos outros, com nosso contínuo intento de controlá-las.
Mais ainda, devido a essa falta de confiança, vemos as dificuldades que encontramos, em nosso contínuo empenho para controlar a natureza, como expressões de controle insufuciente.
Por isso insistimos no comportamento controlador...

(ex-traído de "Amar e Brincar - Fundamentos Esquecidos do Humano" de H. Maturana e Gerda Verden-Zöller, 1993)

terça-feira, novembro 23, 2004


O FAZER HUMANO

Estejamos ou não conscientes disso, o curso da hitória da humanidade segue o caminho do emocionar, e não o da razão ou o das possibilidades materiais.
Isso se dá porque são nossas emoções que constituem os domínios de ações que vivemos nas diferentes conversações em que aparecem os recursos, as necessidades ou as possibilidades. Assim, a vida que vivemos, o que somos e o que chegaremos a ser - e também o mundo ou os mundos que construímos com o viver e o modo como os vivemos - são sempre o nosso fazer.

No fim das contas, ao percebermos que assim é, os mundos em que vivermos serão de nossa total responsabilidade. A compreensão, como modo de olhar contextual, que acolhe todas as dimensões da rede de relações e interações na qual ocorre o que se compreende, abre-nos a possibilidade de sermos responsáveis por nossas ações.
Por fim, se ao percebermos nossa responsabilidade nos dermos conta de nossa percepção e agirmos de acordo com ela, seremos livres e nossas ações surgirão na liberdade.

(ex-traído de "Amar e Brincar - Fundamentos Esquecidos do Humano" de H. Maturana e Gerda Verden-Zöller, 1993)

terça-feira, novembro 16, 2004


PENSAMENTO SISTÊMICO
Na mudança do pensamento mecanicista para o pensamento sistêmico, a relação entre as partes e o todo foi invertida. A ciência cartesiana acreditava que em qualquer sistema complexo o comportamento do todo podia ser analisado em termos das propriedades de suas partes. A ciência sistêmcia mostra que os sistemas vivos não podem ser compreendidos por meio da análise. As propriedades das partes não são propriedades intrínsecas, mas só podem ser entendidas dentro do todo maior. Desse modo o pensamento sistêmico é pensamento "contextual"; e, uma vez que explicar coisas considerando o seu contexto significa explicá-las considerando seu meio ambiente, também podemos dizer que o pensamento sistêmico é pensamento ambientalista.
Em última análise - como a física quântica mostrou de maneira tão dramática - não há partes, em absoluto. Aquilo que denominamos parte é apenas um padrão numa teia inseparável de relações.

(ex-traído de "A Teia da Vida" de F. Capra, 1996)



terça-feira, novembro 02, 2004



O HUMANO

O humano surge na história evolutiva a que pertencemos ao surgir a linguagem, mas se constitui de fato como tal na conservação de um modo de viver particular centrado no compartilhamento de alimentos, na colaboração de machos e fêmeas, na criação da prole, no encontro sensual individualizado recorrente, no conversar.

Por isso todo afazer humano se dá na linguagem, e o que na vida dos seres humanos não se dá na linguagem não é afazer humano; ao mesmo tempo, como todo afazer humano se dá a partir de uma emoção, nada do que seja humano ocorre fora do entrelaçamento do linguajar com o emocionar e, portanto, o humano se vive sempre num conversar.

O emocionar, em cuja conservação se constitui o humano ao surgir a linguagem, centra-se no prazer da convivência, na aceitação do outro junto a nós, ou seja, no amor, que é a emoção que constitui o espaço de ações no qual aceitamos o outro na proximidade da convivência.

Sendo o Amor a emoção que funda a origem do humano, e sendo o prazer do conversar nossa característica, resulta em que tanto nosso bem estar como nosso sofrimento dependem do nosso conversar.

(ex-traído de" A Ontologia da Realidade" de H. Maturana, 2001)

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