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segunda-feira, maio 09, 2005



PERCEPÇÃO

A Percepção não é jamais um simples contato do espírito com o objeto presente; está inteiramente impregnada das lembranças-imagens que a completam, imterpretrando-a.

(ex-traído de "Matéria e Memória" H. Bergson, Ed. M. Fontes, 1999)

terça-feira, abril 26, 2005



EMOÇÕES

Não há nenhuma atividade humana que não esteja fundada, sustentada por uma emoção, nem mesmo os sistemas racionais, porque todo sistema racional, além disso, se constitui como um sistema de coerências operacionais fundado num conjunto de premissas aceitas a priori.
E esta aceitação a priori desse conjunto de premissas é o espaço emocional.
E quando se muda a emoção, também muda o sistema racional.

(ex-traído de "Cognição, Ciência e Vida Cotidiana" H. Maturana, 2001 - ED. UFMG)

quinta-feira, abril 07, 2005



RESPONSABILIDADE II

Não, a responsabilidade não é da ciência.
A Responsabilidade é das pessoas. Nenhum domínio de conhecimento é responsável. São as pessoas as responsáveis.
Porque a responsabilidade tem a ver com os desejos das pessoas, com o dar-se conta de que as consequências de seus atos são desejáveis. Tem a ver com o querer, com os desejos. Eu conheço as consequências dos meus atos, e as desejo?
Então meus atos são atos responsáveis.
Conheço as consequências dos meus atos e não as desejo e, portanto, não ajo assim. Então meu não agir é responsável. A responsabilidade do cientista está na sua responsabilidade como pessoa!

(ex-traído de "A Ontologia da Realidade" de H. Maturana, UFMG, 2001)

terça-feira, abril 05, 2005



RESPONSABILIDADE

Bem, eu penso que no momento em que a gente se dá conta da responsabilidade - quer dizer, não se encontra simplesmente envolvido com ela; mas se dá conta de que o mundo que vivemos tem a ver com a gente, com o indivíduo - esse é um momento que é comovente e libertador.
É comovente porque resulta que o que fazemos não é trivial.
É libertador porque dá sentido ao viver.
Não lhe dá sentido transcendente, mas um sentido imediato todo o tempo. As coisas que fazemos são sempre significativas. Quaisquer que sejam, até mesmo coçar o nariz e, claro, dependendo do espaço em que se faz algo, são distintas sua implicações, sua forma de integração no contexto da convivência.

(ex-traído de "A Ontologia da Realidade" de H. Maturana, UFMG, 2001)

terça-feira, março 15, 2005



RACIONALIDADE

Dizem que nós, seres humanos, somos animais racionais.

Nossa crença nessa afirmação, nos leva a menosprezar as emoções e a enaltecer a racionalidade, a ponto de querermos atribuir pensamento racional a animais não-humanos sempre que observamos neles comportamentos complexos. Nesse processo, fizemos com que a noção de realidade objetiva se tornasse referência a algo que supomos ser universal e independente do que fazemos e que usamos como argumento visando convencer alguém, quando não queremos usar a força bruta.

(ex-traído de "A Ontologia da Realidade" de H. Maturana, 200l - ED. UFMG)

quarta-feira, março 02, 2005



SATISFAÇÃO E HONESTIDADE

O Rabino de Lizenk dizia:"Quando uma pessoa deixa de ficar satisfeita com seu negócio ou com sua profissão, é certamente um sinal de que não o está conduzindo honestamente." (New. Antho. 194)

Esta correlação entre "satisfação" e "honestidade" é extremamente importante. Quando não se é "honesto", ou seja, quando formas de hipocrisia vão ganhando espaço e a conduta é marcada por dissimulações, paramos de sentir satisfação.

Essa constatação do Rabino se estende para qualquer relação que os seres humanos possam experimentar!

(ex-traído) de "A Alma Imoral", N. Bonder, 1998)

quinta-feira, fevereiro 10, 2005



PRÁTICA

Os homens existem em constante atividade.
Dentro dos limites estabelecidos pelas circunstâncias que lhe são impostas, os homens estão sempre produzindo as circunstâncias novas que lhes convém. " As circunstâncias fazem o homem na mesma medida em que este faz as circunstâncias". O ser humano não existe, em geral, numa situação de comtemplação: seu modo normal de existir é o de uma contínua intervenção ativa no mundo.
O processo do conhecimento só pode ser devidamente entendido, em sua verdadeira natureza, quando relacionado com esta contínua intervenção ativa dos homens no mundo. Não é verdade que exista de um lado o mundo e do outro a consciência; e não é verdade que o papel da consciência se limite ao recolhimento e à interpretação de elementos provinientes do mundo exterior.
Em última análise, a validade do conhecimento não pode ser medida em um plano puramente teórico, que se abstraia da vida prática.
O conhecimento é um momento de transformação do homem por ele mesmo. A tarefa de interpretar o mundo faz parte da tarefa maior de modificá-lo.

(ex-traído de "Marx - Vida e Obra" de L. Konder, 1998)

quinta-feira, janeiro 27, 2005



DEUS PAI

Parece que, nas sociedades mais primitivas, as mulheres eram às vezes tidas em mais alta conta que os homens. O prestígio das grandes deusas na religião tradicional reflete a veneração do feminino.

O surgimento das cidades, porém, significou que as qualidades mais masculinas de força marcial e física foram colocadas acima das características femininas. Daí em diante, as mulheres foram marginalizadas e tornaram-se cidadãos de segunda classe nas novas civilizações do OIKUMENE(em grego, MUNDO CIVILIZADO).

A Posição delas era particularmente inferior na Grécia, por exemplo - um fato que os ocidentais deviam lembrar quando clamam contra as atitudes patriarcais do Oriente. O Ideal democrático não se estendia à Mulheres de Atenas, que viviam em reclusão e eram desprezadas como seres inferiores. A Sociedade israelita também assumia um tom mais masculino.

Nos primeiros tempos, as mulheres eram vigorosas e viam-se claramente como iguais dos maridos. Algumas, como Débora, comandaram exércitos em combate. Os israelitas continuariam a festejar mulheres heróicas como Judite e Ester, mas depois que Javé venceu os outros deuses e deusas de Canaã e do Oriente Médio, e se tornou o único Deus, sua religião seria dominada quase inteiramente por homens.

O culto das deusas seria vencido, e isso seria um sintoma de uma transformação cultural característica do mundo recém-civilizado.

(ex-traído de "Uma História de Deus" K. Armstrong, C. das Letras,1994)

sábado, janeiro 22, 2005



A DEUSA MÃE

No período paleolítico, por exemplo, quando a agricultura estava se desenvolvendo, o culto da Deusa Mãe expressava a percepção de que a fertilidade que transformava a vida humana era de fato sagrada. Os artistas esculpiram aquelas estátuas mostrando-a como uma mulher nua, grávida, que os arqueólogos descobrem por toda Europa, Oriente Médio e India.

A Grande Mãe continuou imaginativamente importante durante séculos. Como o velho Deus do Céu, foi absorvida em panteões posteriores e assumiu seu lugar entre as divindades mais antigas. Era em geral um dos deuses mais poderosos, com certeza mais poderosa que o Deus do Céu, que continuou sendo uma figura meio vaga, até os nossos dias.

Chamavam-na Inana na antiga Suméria, Ishtar na Babilônia, Anat em Canaã, Ísis no Egito e Afrodite na Grécia e histórias notavelmente semelhantes foram imaginadas em todas essas culturas para expressar o papel dela na vida espiritual das pessoas.

Esses mitos não se destinavam a ser tomados literalmente, mas eram tentativas metafóricas de descrever uma realidade demasiado complexa e fugidia para ser expressa de outra maneira.
Essas histórias dramáticas e evocativas de deuses e deusas ajudaram as pessoas a articular sua percepção das forças poderosas mas invisíveis que as cercavam.

Como as forças das inter-relações entre todas as coisas no Universo.

(ex-traído de "Uma História de Deus" de K. Armstrong, C. das Letras, 1994 - o comentário é do editor)

terça-feira, janeiro 11, 2005


A ÉTICA E O HUMANO

Já contei a experiência que tive na Inglaterra visitando um museu que exibia o
sofrimento provocado pela bomba atômica em Hiroshima, e disse como um amigo meu
se mostrou indiferente à dor daquele povo.
Com relação a esta atitude penso que, se estou na emoção que não inclui o outro
em meu mundo, não posso me ocupar de seu bem estar.

Os discursos sôbre os direitos humanos, fundados na
justificativa racional do respeito ao humano, serão válidos sómente para
aqueles que aceitam o humano como central, para os que aceitam a esse outro
como membro de sua própria comunidade.
É por isso que os discursos sobre os direitos humanos, os discursos éticos fundados na razão, nunca vão além daqueles que os aceitam desde o início, e não podem convencer ninguém que não esteja convencido de antemão. Sómente se aceitamos o outro, o outro é visível e tem presença.

(ex-traído de "Emoções e Linguagem na Educação e na Política" de H. Maturana, 2001)

quinta-feira, janeiro 06, 2005

FELIZ HUM ANO
NOVO PARA TODOS!!!

quarta-feira, janeiro 05, 2005


O HUMANO

O Que Somos? O que é o Humano?
Habitualmente pensamos no humano, no ser humano, como um ser racional, e frequentemente declaramos em nosso discurso que o que distingue o ser humano dos animais é seu ser racional.
Quero chamar atenção para essas afirmações, que são feitas na suposição implícita de que é absolutamente claro o que dizem. Quero fazer isso porque essas afirmações, feitas assim, com tanta liberdade, constituem, realmente, antolhos como os que os cavalos usam para não se assustarem com a trânsito de veículos que os ultrapassam numa velocidade maior que a sua.
Todos os conceitos e afirmações sobre os quais não temos refletido, e que aceitamos como se significassem algo simplesmente porque parece que todo mundo os entende, são antolhos.
Dizer que a razão caracteriza o humano é um antolho, porque nos deixa cegos frente à emoção, que fica desvalorizada como algo animal ou como algo que nega o racional.
Quer dizer, ao nos declararmos seres racionais vivemos numa cultura que desvaloriza as emoções, e não vemos o entrelaçamento cotidiano entre razão e emoção, que constitui nosso viver humano, e não nos damos conta de que todo sistema racional tem um fundamento no emocional.
Emoções são disposições corporais dinâmicas que definem os diferentes domínios de ação em que nos movemos.
Quando mudamos de emoção, mudamos de domínio de ação, e mudamos as nossas racionalizações.

(ex-traído de "Emoções e Linguagem na Educação e na Política" de H. Maturana, 2001)

segunda-feira, dezembro 20, 2004


EVOLUÇÃO HUMANA

A Evolução biológica dá-se como um sistema ramificado de filogenias, no qual cada linhagem nova surge como uma ramificação filogenética, quando começa a se conservar, reprodutivamente, um novo modo de vida que é uma variante da que definia a linhagem anterior.

Quando isso acontece, a conservação reprodutiva do novo modo de vida permite que tudo o mais possa mudar em torno dele. E a nova linhagem dura enquanto o modo de vida que a define se conserva, qualquer que seja a magnitude de outras mudanças.

Na qualidade de processo, a evolução acontece como uma deriva filogenética que segue um caminho gerado a cada passo reprodutivo, na conservação de uma forma específica de viver. Esta se estende desde a concepção do organismo até sua morte. A isso chamamos de fenótipo ontogénetico.

É por essa razão que sustentamos, que foi a conservação de um modo de vida que incluia coordenações comportamentais consensuais em ternura e sensualidade sob a emoção do amor - na dinâmica de aceitação mútua em convivência próxima - que tornou possível a origem da linguagem.

No curso da história, isso resultou no primata linguajeante que somos.

Também sustentamos que quando a linguagem surgiu nas coordenações de ações de uma convivência sensual íntima, ela o fez dando forma a uma maneira de viver no entrelaçamento do linguajear com o emocionar. É o que chamamos de conversar e constitui, de fato, a maneira humana de viver

(ex-traído de " Amar e Brincar - Fundamentos Esquecidos do Humano" H. Maturna e Gerda Verden-Zöller - 1993)

terça-feira, dezembro 07, 2004


A LINGUAGEM

A forma de vida própria de nossos ancestrais era, basicamente igual à nossa de hoje. Mas sem linguagem: eles viviam em grupos pequenos, como famílias que compartilhavam os alimentos.
Viviam na proximidade sensual da carícia, pois eram animais que andavam eretos. Viviam na sexualidade frontal, o que implicava estar face a face uns com os outros, na ternura e na intimidade de encontros visuais e táteis. Por ultimo, viviam também na participação dos machos na criação dos filhos, num âmbito de relações permanentes, sustentado pela sexualidade contínua, não sazonal, da fêmeas.

A Biologia não determina o que acontece no viver, mas especifíca o que pode acontecer. Não se pode esperar que um gato macho adulto cuide de suas crias. Para ele, elas simplesmente não existem, ou só existem marginalmente.

Mas nós, os machos humanos, não temos nenhum problema em relação a isso - ao contrário. De modo que esse é um ponto importante da história dos seres humanos: os machos têm participado da criação dos filhos. Desse modo de viver em ternura e estreita interação sensual, compartilhando o alimento, com a participação dos machos no cuidado dos filhos, originou-se a linguagem como forma de coordenar ações.

(ex-traido de "Amar e Brincar - Fundamentos Esquecidos do Humano" de H. Maturana e Gerda Verden-Zöller. 1993)


terça-feira, novembro 30, 2004


DE CORPO E ALMA
Diz a Tradição Cristã, que o homem perdeu o Paraíso, e que quando perdeu o paraíso se cobriu com a pele, ou em outras palavras, ganhou corpo.
Isso quer dizer que houve um momento em que o homem viveu no Paraíso, ou seja , no domínio da alma. O domínio do corpo onde vivemos é considerado como pesado,denso, um fardo duro de levar, que nos aprisiona, nos isola, que está preso ao tempo, envelhece, acaba.
O que poderia ser viver no domínio da alma e ter que passar a atuar num outro domínio, o do corpo. Alma, embora seja considerada uma entidade isolada (como o corpo, por aqueles que pensam a partir do domínio do corpo), sempre se refere às relações com as coisas, portanto,intangível, mas presente. Quando algo no modo daquela pessoa se relacionar com os outros ou com o mundo, faz com que o observador diga "Ela faz ou está presente de corpo e alma", ou ainda, "ela poê a alma naquilo que faz".É uma expressão que sempre se refere ao modo como a pessoa age. Não ao que ela faz, mas como ela faz. Esta expressão de "corpo e alma" é interessante, porque denota que voce pode estar nas coisas só de corpo, sem alma. Quando voce pôe a alma no que faz, necessáriamente o corpo tem de ir junto ("alma ou espírito, não baixam sem um cavalo"). Mas se voce pôe só o corpo, ou começa pelo corpo, ou ainda, o lugar emocional de onde voce fala é do domínio do corpo, significa que a alma pode ou não estar ali. Desse domínio, seu corpo está sempre no presente, mas a alma pode estar em qualquer lugar, passado ou futuro.
Quem vive no domínio do corpo tem mais dificuldade de viver no presente, pois aí seria estar de "corpo e alma", como se fosse o dominio da alma.
O que seria então o domínio da alma?. Seria o domínio das relações e não o domínio das coisas. É o domínio onde as coisas, adquirem identidade a apartir das relações, onde não há isolamento, pois todas as coisas estão em relação, assim como no Universo.

(Ex-traído de "Mim Mesmo em Pensamentos Exparsos" de 2004)

quinta-feira, novembro 25, 2004


A NOSSA NATUREZA
Na Tradição greco-judaico-cristã de nossa cultura ocidental, percebemos aquilo que chamamos de natureza como um âmbito de forças independentes, com frequência ameaçadoras, que temos de subjugar e controlar para viver.
Não vemos a natureza como nosso domínio de existência e a fonte de todas as possibilidades. Além disso, nossa cultura ocidental nos centra emocionalmente na valorização da intencionalidade, produtividade e controle.
Nossa atenção está tão orientada para os resultados do que fazemos que raramente vivemos o nosso fazer como um ato no presente. Em consequência, não confiamos nos processos naturais que nos constituem e nos quais estamos imersos como condição de nossa existência. Estamos insensíveis para as distorções que introduzimos em nossas vidas e nas dos outros, com nosso contínuo intento de controlá-las.
Mais ainda, devido a essa falta de confiança, vemos as dificuldades que encontramos, em nosso contínuo empenho para controlar a natureza, como expressões de controle insufuciente.
Por isso insistimos no comportamento controlador...

(ex-traído de "Amar e Brincar - Fundamentos Esquecidos do Humano" de H. Maturana e Gerda Verden-Zöller, 1993)

terça-feira, novembro 23, 2004


O FAZER HUMANO

Estejamos ou não conscientes disso, o curso da hitória da humanidade segue o caminho do emocionar, e não o da razão ou o das possibilidades materiais.
Isso se dá porque são nossas emoções que constituem os domínios de ações que vivemos nas diferentes conversações em que aparecem os recursos, as necessidades ou as possibilidades. Assim, a vida que vivemos, o que somos e o que chegaremos a ser - e também o mundo ou os mundos que construímos com o viver e o modo como os vivemos - são sempre o nosso fazer.

No fim das contas, ao percebermos que assim é, os mundos em que vivermos serão de nossa total responsabilidade. A compreensão, como modo de olhar contextual, que acolhe todas as dimensões da rede de relações e interações na qual ocorre o que se compreende, abre-nos a possibilidade de sermos responsáveis por nossas ações.
Por fim, se ao percebermos nossa responsabilidade nos dermos conta de nossa percepção e agirmos de acordo com ela, seremos livres e nossas ações surgirão na liberdade.

(ex-traído de "Amar e Brincar - Fundamentos Esquecidos do Humano" de H. Maturana e Gerda Verden-Zöller, 1993)

terça-feira, novembro 16, 2004


PENSAMENTO SISTÊMICO
Na mudança do pensamento mecanicista para o pensamento sistêmico, a relação entre as partes e o todo foi invertida. A ciência cartesiana acreditava que em qualquer sistema complexo o comportamento do todo podia ser analisado em termos das propriedades de suas partes. A ciência sistêmcia mostra que os sistemas vivos não podem ser compreendidos por meio da análise. As propriedades das partes não são propriedades intrínsecas, mas só podem ser entendidas dentro do todo maior. Desse modo o pensamento sistêmico é pensamento "contextual"; e, uma vez que explicar coisas considerando o seu contexto significa explicá-las considerando seu meio ambiente, também podemos dizer que o pensamento sistêmico é pensamento ambientalista.
Em última análise - como a física quântica mostrou de maneira tão dramática - não há partes, em absoluto. Aquilo que denominamos parte é apenas um padrão numa teia inseparável de relações.

(ex-traído de "A Teia da Vida" de F. Capra, 1996)



terça-feira, novembro 02, 2004



O HUMANO

O humano surge na história evolutiva a que pertencemos ao surgir a linguagem, mas se constitui de fato como tal na conservação de um modo de viver particular centrado no compartilhamento de alimentos, na colaboração de machos e fêmeas, na criação da prole, no encontro sensual individualizado recorrente, no conversar.

Por isso todo afazer humano se dá na linguagem, e o que na vida dos seres humanos não se dá na linguagem não é afazer humano; ao mesmo tempo, como todo afazer humano se dá a partir de uma emoção, nada do que seja humano ocorre fora do entrelaçamento do linguajar com o emocionar e, portanto, o humano se vive sempre num conversar.

O emocionar, em cuja conservação se constitui o humano ao surgir a linguagem, centra-se no prazer da convivência, na aceitação do outro junto a nós, ou seja, no amor, que é a emoção que constitui o espaço de ações no qual aceitamos o outro na proximidade da convivência.

Sendo o Amor a emoção que funda a origem do humano, e sendo o prazer do conversar nossa característica, resulta em que tanto nosso bem estar como nosso sofrimento dependem do nosso conversar.

(ex-traído de" A Ontologia da Realidade" de H. Maturana, 2001)

sábado, outubro 30, 2004



O AMOR PELO DINHEIRO

" O amor pelo dinheiro como possessividade... será reconhecido por aquilo que é: Uma paixão doentia, um pouco repugnante, uma daquelas propensões em parte criminosa e em parte patológica, que geralmente são delegadas, com um frio na espinha, ao especialista em doenças mentais!"

John Maynard Keynes
Economista Inglês
1886 - 1946

terça-feira, outubro 19, 2004



O AMOR

Quando falamos de emoções, fazemos referência ao domínio das ações em que um animal se move...o que conotamos quando falamos de emoções são os diferente domínios de ações possíveis nas pessoas e animais, e as distintas disposições corporais que os constituem e realizam.
Por isso mesmo, sustento que não há ação humana sem uma emoção que a estabeleça como tal e a torne possível como ato.
Por isso mesmo também que, para que se desse um modo de vida baseado no estar juntos em interações recorrentes no plano da sensualidade em que surge a linguagem, seria necessária uma emoção fundadora paticular, sem a qual esse modo de vida na convivência não seria possível.
Essa emoção é o AMOR.
O amor é emoção que constitui o domínio de ações em que nossas interações recorrentes com o outro, fazem do outro um legítimo outro na convivência.
As interações recorrentes no amor ampliam e estabilizam a convivência; as interações recorrentes na agressão interferem e rompem a convivência.

(ex-traído de "Emoções e Linguagem na Educação e na Política" de H. Maturana,2001)

terça-feira, outubro 12, 2004


O QUE É EDUCAR
O educar se constitui no proceso em que a criança ou o adulto convive com o outro e, ao conviver com o outro, se transforma espontaneamente, de maneira que seu modo de viver se faz progressivamente mais congruente com o do outro no espaço de convivência. O educar ocorre, portanto, todo o tempo e de maneira recíproca. Ocorre como uma transformação estrutural contingente com uma história no conviver, e o resultado disso é que as pessoas aprendem a viver de uma maneira que se configura de acordo com o conviver da comunidade em que vivem.
A Educação como "sistema educacional" configura um mundo, e os educandos confirmam em seu viver o mundo que viveram em sua educação. Os educadores, por sua vez, confirmam o mundo que viveram ao ser educados no educar.
A educação é um processo contínuo que dura toda a vida, e que faz da comunidade onde vivemos um mundo espontaneamente conservador, ao qual o educar se refere.
Isso não significa, é claro, que o mundo do educar não mude, mas sim que a educação, como sistema de formação da criança e do adulto, tem efeitos de longa duração que não mudam facílmente.

(ex-traído de "Emoções e linguagem na educação e na política" H. Maturana, 2001)

quarta-feira, setembro 29, 2004


C O N F L I T O S
Na condição de seres humanos ocidentais modernos, falamos em valorizar a paz e vivemos como se os conflitos que surgem na convivência pudessem ser resolvidos na luta pelo poder; falamos de cooperação e valorizamos a competição; falamos em valorizar a participação, mas vivemos na apropriação, que nega aos outros os meios naturais de subsistência; falamos da igualdade humana, mas sempre validamos a descriminação; falamos da justiça como um valor, mas vivemos no abuso e na desonestidade; afirmamos valorizar a verdade, mas negamos que mentimos para conservar as vantagens que temos sobre os demais... Isto é: em nossa cultura patriarcal ocidental vivemos em conflitos, e frequentemente dizemos que a fonte deles está no caráter conflituoso de nossa natureza humana.

Com frequência, dizemos que tanto a luta entre o bem e o mal quanto o viver em agressão são características prórpias da natureza biológica dos seres humanos.

Discordo, não por pensar que o ser humano, em sua natureza, seja pura bondade ou pura maldade, mas porque considero que a questão do bem e do mal não é biológica e sim cultural. Esse conflito em que nós, seres humanos patriarcais modernos, vivemos, nos dobrará com sofrimentos e por fim nos destruirá, a menos que o resolvamos.

(ex-traído de "Amar e Brincar - Fundamentos Esquecidos do Humano" de H. Maturana e G. Verden-Zöller, 1993)

quinta-feira, agosto 19, 2004


AMOR E GUERRA
Devido à nossa origem evolutiva, nós, seres humanos, somos animais - animais dependentes do amor, que adoencem ao ser privados dele em qualquer idade.
A guerra a agressão e a maldade como formas de viver na negação dos outros não são características de nossa biologia. Como animais, nós, seres humanos sem dúvida somos biologicamente capazes de agressão, ódio, raiva - ou de qualquer emoção que a experiência nos mostra que podemos viver e que constitua um domínio de ações que leve à destruição ou à negação dos outros. Mas vivemos esses domínios de ações seja como episódios transitórios, seja como alienações culturais, que, como sabemos, distorcem nossa condição humana e nos levam à loucura ou à infelicidade.
A agressão, a guerra e a maldade não são parte da maneira de viver que nos define como seres humanos e que nos deu origem como humanos.

(ex-traído de "Amar e Brincar - Fundamentos Esquecidos do Humano" de H. Maturana e Gerda Verden-Zöller, 1993)

terça-feira, agosto 10, 2004



PERCEPÇÃO

A palavra percepção é hábitualmente ouvida como se conotasse uma operação de captação de uma realidade externa, mediante um processo de recepção de informações dessa realidade.
Isso é todavia, constitutivamente impossível, porque seres vivos são sistemas dinâmicos determinados estruturalmente, e tudo o que acontece neles é determinado a cada instante por sua estrutura. Isso significa que o meio não pode especificar o que acontece num sistema vivo – ele pode apenas desencadear em sua estrutura mudanças determinadas por sua estrutura.
Como resultado disso, constitutivamente, um sistema vivo opera sempre em congruência estrutural com o meio, e existe como tal somente na medida em que essa congruência estrutural ( adaptação) for conservada. Caso contrário ele se desintegra.
Nessas circunstâncias, o fenômeno conotado pela palavra percepção consiste na associação, pelo observador, das regularidades de comportamento que ele ou ela distingue no organismo observado com as condições do meio que ele ou ela vê como desencadeando essas regularidades.
O observador usa tais regularidades comportamentais para caracterizar objetos perceptivos. Isso se aplica a todos os seres vivos, incluindo o observador.

(ex-traído de "Ontologia da Realidade" de H Maturana. 2001)

quarta-feira, julho 28, 2004


E M O Ç Õ E S
Nossos desejos e preferências surgem em nós a cada instante, no entrelaçamento de nossa biologia com nossa cultura e determinam, a cada momento, nossas ações. São eles, portanto , que definem, nesses instantes, o que constitui um recurso, o que é uma possibilidade ou aquilo que vemos como uma oportunidade.
Além disso, sustento que agimos segundo nosso desejos, mesmo quando parece que atuamos contra algo ou forçados pelas circunstâncias; fazemos sempre o que queremos, seja de modo direto , porque gostamos de fazê-lo, ou indiretamente, porque queremos as consequências de nossas ações, mesmo que estas não nos agradem.
Se não compreendermos que nossas ações constituem e guiam nossas ações na vida, não teremos elementos conceituais para entender a participação de nossas emoções no que fazemos como membros de uma cultura e, consequentemente, o curso de nossas ações nela. Também afirmo, por fim, que se não entendermos que o curso das ações humanas segue o das emoções, não poderemos compreender a trajetória da história da humanidade.

(ex-traído de "Amar e Brincar - Fundamentos Esquecidos do Humano" de H. Maturana e Gerda Verden-Zöller, 1993)


terça-feira, julho 20, 2004


NÓS HUMANOS
 
Nós, Humanos, surgimos na história da família dos primatas bípedes á qual pertencemos quando o linguajear - como maneira de conviver em coordenações de coordenações comportamentais consensuais - deixou de ser um fenômeno ocasional.
A linhagem a que pertencemos como seres humanos surgiu quando a prática da convivência em coordenações de coordenações comportamentais consensuais - que constitui o linguajear - passou  a ser conservada de maneira transgeracional pelas formas juvenis desse grupo de primatas, ao ser aprendida, geração após geração, como parte da prática cotidiana do convívio.
O Humano surgiu quando nossos ancestrais começaram a viver no conversar como uma maneira cotidiana de vida que se conservou, geração após geração, pela prendizagem dos filhos.
Em outras palavras, digo que o que nos constitui como seres humanos é nossa existência no conversar.
Assim, caçar, pescar, guardar um rebanho, cuidar das crianças, a veneração, a construção de casas, a fabricação de tijolos, a medicina... como atividades humanas, são diferentes classes de conversações. Consistem em distintas redes de coordenações de coordenações consensuais de ações de emoções.
 
(ex-traído de "Amar e Brincar - Fundamentos Esquecidos do Humano" de H. Maturana e Gerda Verden-Zöller, 1993)

segunda-feira, julho 05, 2004

quase humano...
DO HUMANO

A julgar pelos modos atuais de vida de humanos e antropóides, e reconhecendo que em todas as linhagens a maneira presente de viver é uma variação em torno da configuração básica do viver, que foi conservada geração após geração, e que de fato é o modo de vida que define a linhagem, proponho que a diferença entre nós e os antropóides ( como o chimpanzé )é o resultado de variações em torno da conservação de dois modos de vida basicamente diferentes no que se refere às relações interindividuais, a saber:

A) O modo de vida Humano, centrado na sensualidade, na ternura, na sexualidade aberta, no compartilhamento, na cooperação, na intimidade de pequenos grupos ( de 7-8 indivíduos );

B) O modo de vida Antropóide, centrado na oposição hierárquica, na manipulação mútua através da intimidação, da força,
da trapaça, e a instrumentalização da sexualidade em uma contínua luta por um acesso privilegiado à comida e ao sexo, em grandes grupos (de 15-ou mais indivíduos ).

De acordo com isso, eu sustento que nós, seres humanos pertencemos a uma linhagem definida por um modo de vida centrado em torno de relações de cooperação na biologia do amor, e que os grandes antropóides, tais como os chimpanzés, pertencem a uma linhagem definida por uma modo de vida centrado em relações de hierarquia na biologia da dominação e da submissão.

(ex-traído de "A Ontologia da Realidade" H. Maturana /2001)

segunda-feira, maio 10, 2004


Mudança de Paradigma

Segundo Thomas Kuhn em seu livro " A Estrutura das Revoluções Científicas" a noção de um "paradigma" científico é definida "como uma constelação de realizações - concepções, valôres, técnicas, ect. - compartilhada por uma comunidade científica e utilizada por essa comunidade para definir problemas e soluções legítimos"

O paradigma que está agora começando a retroceder dominou a nossa cultura por várias centenas de anos, durante os quais modelou nossa moderna sociedade ocidental e inflenciou significativamente o restante do mundo.
Esse paradigma consiste em várias idéias e valôres entrincheirados, entre os quais a visão do Universo como um sistema mecânico composto de blocos de construção elementares, a visão do corpo humano como uma máquina, a visão da vida em sociedade como uma luta competitiva pela existência, a crença no progresso material ilimitado a ser obtido por intermédio de crescimento econômico e tecnológico, e - por fim, mas não menos importante - a crença em que uma sociedade na qual a mulher é, por toda a parte, classificada em posição inferior à do homem é uma sociedade que segue uma lei básica da natureza.

Todas essas suposições têm sido decesivamente desafiadas por eventos recentes. E, na verdade, está ocorrendo, na atualidade, uma revisão radical dessas suposições.

(ex-traído de "A Teia da Vida" Fritjof Capra 1996)

segunda-feira, maio 03, 2004


O Sistema Nervoso humano não processa nehuma informação (no sentido de elementos separados que existem já prontos no mundo exterior, a serem apreendidos pelo sistema cognitivo), mas interage com o meio ambiente modulando continuamente sua estrutura.
Além disso, os neurocientistas descobriram fortes evidências de que a inteligência humana, a memória humana e as decisões humanas nunca são completamente racionais, mas sempre se manifestam coloridas por emoções, como todos sabemos a partir da experiência.
Nosso pensamento é sempre acompanhado por sensações e processos somáticos, mesmo que com frequência, tendamos a suprimir estes últimos, pois sempre pensamos também com o nosso corpo.
Essas considerações implicam no fato de que certas tarefas nunca deveriam ser deixadas para os computadores, como Joseph Weizenbaum afirmou enfáticamente em seu livro clássico Computer Power and Human Reason.

Essas tarefas incluem todas aquelas que exigem qualidades humanas genuínas, tais como sabedoria, compaixão, respeito, compreensão e amor.
Decisões e comunicações que exigem essas qualidades desumanizarão nossas vidas se forem feitas por computadores.

(ex-traído de "A Teia da Vida" de Fritjof Capra 1996)

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